7. Técnica – Primeiras experiências com a Canon EOS R5

Como já por aqui dissemos, somos utilizadores da Canon desde há muitos anos. Para que exista compatibilidade com as lentes e outro equipamento, temos de nos manter fieis à marca. Temos seguido, pela net e em revistas da especialidade, alguns desenvolvimentos da tecnologia que vêm a apontar no sentido de um progressivo avanço das câmaras”mirrorless”. Estas começam, de facto, a apresentar algumas vantagens sobre as nossas fiéis DSLR. No fundo, trata-se de substituir um funcionamento mais mecânico por um mais electrónico. Por múltiplas razões, é uma tendência irreversível, tanto em fotografia como em muitas outras áreas.

Quando começaram a ser conhecidas as especificações técnicas da nova Canon EOS R5, pensámos que tinha chegado o momento de arriscar a mudança. Já temos esta câmara há umas semanas e estamos em fase de poder transmitir as primeiras impressões e de relatar como as novas características da câmara vêm alterar os nossos procedimentos usuais.

Trata-se de uma Canon EOS, com tudo aquilo a que estamos habituados nos locais a que estamos habituados (ou quase). Podemos pegar na câmara e fotografar desde o primeiro minuto. Há, no entanto, muitas coisas novas e diferentes. Quando adquiríamos uma nova DLSR, levávamos cerca de dois dias a familiarizar-nos com a câmara e a efectuar os ajustes ao nosso gosto. Nesta “mirrorless” levei uma semana e ainda estou a alterar algumas coisas, tendo em conta as primeiras experiências.

Em primeiro lugar há um novo sistema de visor a que devemos habituar-nos. Não foi difícil. É extremamente nítido e claro, em especial em situações de pouca luz. Não conseguimos sentir a existência de um atraso entre o que ocorre e o que se vê. Além disso é agradável não haver obstrução da visão quando disparamos. A informação apresentada no visor é completíssima e de compreensão imediata.

Para quem está habituado à EOS 5D IV ou à EOS 90D nota-se que o disparo é muito mais silencioso. Pode mesmo ser totalmente silencioso se escolhermos utilizar o obturador electrónico. Até agora, estamos a usar sempre o obturador com primeira cortina electrónica. Haveria aqui muito a dizer sobre os aspectos técnicos desta escolha mas não nos queremos alongar em excesso.

Para a fotografia de aves costumamos usar as DSLR em modo Av, isto é com prioridade à abertura, o que nos permite ajustar muito rapidamente a profundidade campo à medida das necessidades do instante.

As EOS “mirrorless” têm uma nova opção, o modo Fv (Flexible value), que é extremamente versátil, substituindo os modos Tv, Av, Manual e Auto. Permite efectuar ajustes com grande rapidez.  Neste modo Fv existe uma opção “auto”  para abertura, velocidade e sensibilidade. Um selector de controlo rápido, muito acessível junto ao nosso polegar, permite escolher qual destes ajustes é efectuado pelo selector usual junto ao disparador e qual o que fica para a habitual roda na parte de trás da câmara.

Nós usamos este modo Fv de forma a que ajustamos a abertura com o selector do indicador como se estivéssemos em Av. Mas, assim, torna-se muito mais rápido fazer qualquer outra modificação de ajustes, sensibilidade ou velocidade, por exemplo.

Uma característica interessante nesta EOS R5 é a capacidade de sistema de auto-foco detectar animais, designadamente aves, e focar com precisão nos seus olhos. Se esta função for eficiente pode ser de extrema utilidade para a fotografia de aves.

Testámos o sistema em casa com imagens de aves e funcionava muito bem. A primeira experiência em condições reais, em fotografia de abrigo, não foi tão convincente. Nalguns casos o sistema era algo lento e hesitava entre a ave e um ramo que por ali estivesse. Era também difícil de emendar, originando perda de oportunidades.

Pensamos ter agora encontrado a solução mais adequada para a nossa utilização. É a que vamos descrever seguidamente.

Nas DSLR, usamos desde há muito tempo, o sistema de focar com o botão  AF-ON na parte de trás da câmara.

Ajustámos a R5 para funcionar também do mesmo modo.

Além disso, seleccionámos o botão ao lado deste, assinalado com um asterisco *, para efectuar a focagem no olho.

Ficamos assim com duas opções permanentemente ao nosso dispor. Usar para focar o botão a que estamos habituados para focar, por exemplo, um poleiro e usar o botão * para focar e seguir os olhos da ave que por lá andar.

Atenção: é necessário lembrarmo-nos de seleccionar animais e não pessoas no Menu Magenta. O esquecimento de registar essa escolha pode trazer grandes problemas. A focagem automática no olho continua a funcionar mas de forma muito ineficiente e não é fácil perceber imediatamente porquê.

Uma outra característica desta EOS R5 que poderá ser interessante para a fotografia de aves é a possibilidade de filmar vídeos com resolução suficiente para podermos extrair fotografias com boa qualidade de imagem Essa selecção pode mesmo ser feita na própria câmara.

A EOS R5 é relativamente compacta e leve o que pode ser uma vantagem para algumas utilizações. Para nós não é importante, tendo em consideração o tamanho das objectivas que utilizamos. Por isso, estamos a utilizar a câmara com o punho de baterias o que a torna mais pesada e volumosa.

Continuamos a utilizar esta câmara com as objectivas que já usávamos, designadamente as Canon EF 500mm e EF 100-400mm e as Sigma 150-600mm e 100-400mm. O adaptador de lentes EF para R é muito sólido e funciona optimamente. Connosco fica sempre na máquina, visto que não temos qualquer objectiva de baioneta R.

O punho ajuda não só a equilibrar melhor a máquina com as objectivas, mas também aumenta para o dobro a autonomia das baterias que, nesta câmara, é muito menor do que nas DSLR.

Com a objectiva Sigma 100-400mm, que é relativamente compacta, o conjunto com a câmara e punho fica bem equilibrado, é de muito fácil manuseamento sem tripé e nota-se imediatamente a eficiência do estabilizador de imagem na câmara, conseguindo-se excelentes imagens com exposições relativamente longas para estas distâncias focais.

Nesta câmara continuamos a utilizar o procedimento a que já estamos habituados de ter  os ajustes básicos registados nos modos personalizados C1 a C3. Antes de uma sessão de fotografia seleccionamos e registamos estas configurações de acordo com o que esperamos vir a encontrar. No modo C1 registamos as configurações para fotografar aves pousadas; no modo C2 as configurações para aves em voo ou imagens de acção rápida; no modo C3 registamos uma outra configuração que depende das nossas previsões daquilo que pensamos vir a encontrar.  Estes ajustes servirão de base para configurar rapidamente a câmara no início da sessão ou quando as condições se alterarem, por exemplo para passar de fotografia de aves pousadas para aves em voo ou vice-versa. Estes ajustes vão sendo modificados durante o decorrer da sessão conforme as condições que vamos encontrando na realidade.

Actualmente na EOS R5 temos as seguintes escolhas:

C1 – Fotografia de aves pousadas

Fv com ajuste da abertura no selector principal e compensação da exposição na roda de trás;

Abertura f8.0, ISO 640, Velocidade auto; sem correcção de exposição; medição matricial; AF SERVO;

Desempenho do visor económico;

Auto-foco no ponto central com o botão AF-ON;

Auto-foco nos olhos da ave com o botão * ;

Disparo de rajada H+.

 

C2 – Fotografia de aves em voo ou em acção rápida

Fv com ajuste da abertura no selector principal e compensação da exposição na roda de trás;

Abertura f8.0, ISO 1600, Velocidade auto; sem correcção de exposição; medição matricial; AF SERVO;

Desempenho do visor fluido;

Auto-foco na zona central de 9 pontos com o botão AF-ON;

Auto-foco nos olhos da ave com o botão * ;

Disparo de rajada H+.

 

C3 – Para uma situação diferente e inesperada

Fv com ajuste da abertura no selector principal e compensação da exposição na roda de trás;

Abertura Auto, ISO Auto, Velocidade auto; sem correcção de exposição; medição matricial; AF SERVO;

Desempenho do visor económico;

Auto-foco no ponto central com o botão AF-ON;

Auto-foco nos olhos da ave com o botão * ;

Disparo de rajada H+.

 

Vou tentar justificar estas escolhas começando pelo modo C1.

Procuramos um modo que permita uma resposta muito rápida. É fundamental poder ajustar rapidamente a abertura de modo a procurar obter a profundidade de campo necessária para ter a ave toda bem focada e desfocar o fundo.

Nesta câmara uma sensibilidade de 640 ISO dá uma excelente qualidade de imagem e permite, em geral, uma velocidade suficiente para aves pousadas. Quando está escuro ou se há muito movimento aumentamos a sensibilidade.

Mesmo para aves pousadas, usamos AF SERVO porque as aves, muitas vezes, estão em troncos que balançam e/ou a mover-se constantemente. O O desempenho de visor ajustado para económico parece suficiente para este tipo de imagens.

Podemos usar a rajada rápida sem problemas porque a câmara é bastante silenciosa.

Em aves com zonas brancas damos uma correcção de exposição de menos um ou dois terços para evitar “queimar” os brancos.

A focagem no botão AF-ON permite pré focar e disparar imediatamente quando há uma pose ou um movimento que nos interessam captar, sem que a câmara gaste tempo a focar. A focagem no olho da ave permite manter a ave bem focada evitando a tendência que por vezes surge de a câmara focar o poleiro e não a ave.

O modo C2 é muito semelhante mas aumenta a sensibilidade para garantir uma velocidade do obturador que “congele” melhor a acção.

Para captar movimentos rápidos penso que o desempenho do visor deve ajustado se ajustado para fluido para conseguirmos seguir a acção o melhor possível.

A experiência mostra que é mais fácil seguir as aves em voo e as cenas de acção quando se usa a zona central e não apenas o ponto central para focar.

O modo C3 foi escolhido como o que nos pareceu o modo mais rápido de, mantendo alguns ajustes básicos usuais, ter imediato controlo dos ajustes de exposição.

Nas nossas DSLR anteriores (excepto na 90D) existiam dois cartões de memória com velocidades de gravação e capacidades comparáveis. Utilizávamos nessas câmaras os dois cartões, em sequência automática, gravando em RAW e em JPEG. Na R5 existe um cartão CF Express e um cartão SD II. As velocidades de gravação e as capacidades são muito diferentes, sendo o CF Express muito mais rápido. Por isso, estamos a utilizar o cartão CF Express para gravar as imagens em RAW e o SD para gravar em JPEG.

1 comentário em “7. Técnica – Primeiras experiências com a Canon EOS R5”

  1. Olá Henrique
    Excelente partilha da sua experiência com a nova R5.
    Muito obrigada, gostei muito das suas informações. Estou tentada a experimentar!
    Ana

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *