12. Monografia – Os Chapins

Em Portugal designamos por Chapins um conjunto de espécies de pequenas aves, algumas delas muito comuns, de aspecto geralmente rechonchudo e com o bico curto.

Não correspondem a uma única família ou género na classificação científica da ordem dos passeriformes, ainda que muitos pertençam à familia paridae.  São apenas uma designação da linguagem comum, tanto em português como no inglês “Tits”. Já em espanhol não existe uma palavra que englobe todos os nossos chapins.

Têm um comportamento irrequieto  e é comum encontrá-los em posição invertida pendurados de patas para o ar ou noutras posições acrobáticas.

São das aves mais fáceis de ver e de fotografar. A maior dificuldade resulta talvez de estarem sempre em movimento saltitando constantemente de ramo para ramo.  São aves que frequentam os bosques e as zonas arborizadas, com excepção do Chapim-de-mascarilha e do Chapim-de-bigodes que preferem os caniçais.

Em Portugal temos seis espécies de Chapins:

Chapim-azul – cyanistes caeruleus;

Chapim-real – parus major;

Chapim-de-poupa – lophophanes cristatus;

Chapim-carvoeiro – periparus ater;

Chapim-de-mascarilha – remiz pendulinus;

Chapim-rabilongo – aegithalos caudatus;

Em Espanha podem observar-se mais duas espécies:

Chapim-palustre – poecile palustris;

Chapim-de-bigodes – panurus biarmicus.

Chapim-azul

O Chapim-azul, Blue Tit, herrerillo común – cyanistes caeruleus, identifica-se facilmente pela por uma mancha azul no topo da cabeça, corpo amarelado e asas azuladas.  Tem cerca de 11 cm de comprimento.

Os sexos são quase idênticos, com o macho de colorido um pouco mais vistoso.

Chapim-azul
Chapim-azul
Chapim-azul
Chapim-azul
Chapim-azul
Chapim-azul
Chapim-azul
Chapim-azul
Chapim-azul
Chapim-azul
Casal de Chapim-azul

Chapim-real

O Chapim-real, Great Tit, carbonero común, parus major, como o nome indica é o maior dos nossos chapins, com cerca de 14 cm de comprimento.

Peito amarelo com barra central preta, cabeça preta e branca e dorso esverdeado. A barra central preta é mais larga nos machos.

Chapim-real
Chapim-real
Chapim-real
Chapim-real
Chapim-real
Chapim-real
Chapim-real
Chapim-real

Chapim-de-poupa

O Chapim-de-poupa, Crested Tit, herrerillo capucino, lophophanes cristatus é um residente comum. Trata-se de um pequeno chapim, com cerca de 11 cm de comprimento, que é facilmente reconhecível por ostentar uma poupa em bico. De destacar os característicos olhos vermelhos e pretos.

Chapim-de-poupa
Chapim-de-poupa
Chapim-de-poupa
Chapim-de-poupa
Chapim-de-poupa
Chapim-de-poupa

Chapim-carvoeiro

Com a cabeça preta com uma coroa branca e de cor pardacenta, tem  cerca de 11 cm de comprimento. O Chapim-carvoeiro, Coal Tit, carbonero garrapinos, periparus ater  é um residente comum.

Chapim-carvoeiro
Chapim-carvoeiro
Chapim-carvoeiro
Chapim-carvoeiro
Chapim-carvoeiro

Chapim-rabilongo

Chapim-rabilogo, Long-tailed Tit, mito común, aegithalos caudatus, é um chapim que se destaca pela cauda muito longa, que é mais comprida que o resto do corpo. No total tem 14 cm de comprimento. Visto de perto sobressai uma “sobrancelha” amarela. É um residente comum que frequenta, em pequenos grupos, as zonas arborizadas.

Chapim-rabilongo
Chapim-rabilongo
Chapim-rabilongo
Chapim-rabilongo
Chapim-rabilongo

Chapim-de-mascarilha

Chapim facilmente reconhecível pela mascarilha preta, maior e mais escura no macho do que na fêmea. O Chapim-de-mascarilha, Peduline Tit, pájaro moscón, é um habitante dos caniçais e da vegetação à beira dos pântanos, mas que necessita de aceder a árvores para construir os ninhos em forma de bolsa.

Tem cerca de 11 cm de comprimento. É um invernante pouco comum em Portugal.

Chapim-de-mascarilha macho

Chapim-de-mascarilha macho
Chapim-de-mascarilha macho
Chapim-de-mascarilha macho
Chapim-de-mascarilha macho

Chapim-palustre

Chapim-palustre, Marsh Tit, carbonero palustre, poecile palustris, é uma espécie de chapim que não existe em Portugal. Em Espanha é um residente relativamente comum na zona norte.

É semelhante ao chapim-carvoeiro, mas de cor mais cinzenta, sem a zona branca no meio da mancha negra da cabeça e com um “babette” menor. É extremamente irrequieto.

Chapim-palustre
Chapim-palustre
Chapim-palustre
Chapim-palustre
Chapim-palustre
Chapim-palustre

Chapim-de-bigodes

Uma outra espécie que não existe em Portugal e é pena. Trata-se de uns passarinhos engraçadíssimos. O Chapim-de-bigodes, Bearded Tit, bigotudo, panurus biarmicus tem um comprimento de cerca de 13 cm, isto é de dimensões ligeiramente menores que o chapim-real mas tendo uma cauda maior. De tons cinzento, laranja, castanho, preto e branco; tem olhos amarelos e pretos e o macho apresenta um grande bigode preto, que dá origem  ao nome. A fêmea não tem o bigode e tem um colorido mais discreto. Saltitam permanentemente nos caniçais onde habitam, chegando e partindo, por revoadas e pousando nos caniços em posições acrobáticas muito carcterísticas. É uma pequena ave espectacular.

Chapim-de-bigodes macho
Chapim-de-bigodes macho juvenil
Chapim-de-bigodes fêmea
Chapim-de-bigodes fêmea
Chapim-de-bigodes macho
Retrato de um Chapim-de-bigodes macho
Chapim-de-bigodes macho
Chapim-de-bigodes macho
Chapim-de-bigodes macho
Chapim-de-bigodes macho
Chapim-de-bigodes macho
Chapim-de-bigodes macho
Chapim-de-bigodes macho
Chapim-de-bigodes macho
Chapim-de-bigodes macho
Chapim-de-bigodes fêmea
Chapim-de-bigodes fêmea
Chapim-de-bigodes macho

11. Monografia – Pica-paus e Torcicolo

Em Portugal há três espécies de pica-paus:

Peto-real-ibérico – Picus sharpei

Pica-pau-malhado – Dendrocopos major

Pica-pau-galego – Dryobates minor.

Em Espanha há mais três:

Picamaderos negro – Dryocopus martius

Pico-mediano – Dendrocopos medius

Pico dorsiblanco – Dendrocopos leucotos, que é uma espécie muito pouco comum, com uma população de cerca de uma centena de casais que habitam alguns bosques na região do Pirinéu navarro.

Da mesma família dos Piciformes, Picidae, existe também, tanto em Portugal como em Espanha, o Torcicolo – Jynx torquilla.

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10. Monografia – Os Tartaranhões

Os Tartaranhões são aves de rapina elegantes de médio porte. São pequenas águias ou aguiluchos como dizem em Espanha. São aves da família das acccipitriformes e do género circus. Tendem a caçar voando, por vezes a baixa altitude ou junto ao solo, com as asas com as pontas levantadas formando um V.

Em Portugal temos:

  • Circus aeruginosus – Tartaranhão-ruivo-dos-pauis ou Águia-sapeira (aguilucho lagunero);
  • Circus pygargus – Tartaranhão-caçador ou Águia-caçadeira (aguilucho cenizo).
  • Circus cyaneus – Tartaranhão-cinzento (aguilucho pálido);

Também ocorre por vezes o circus macrourus – Tartaranhão-pálido (aguilucho papialbo).

Águia-sapeira

É o maior dos nossos Tartaranhões com até 135 cm de envergadura.

Com claro dimorfismo sexual, os machos são tricolores, castanho, cinzento e preto. Têm os olhos de um amarelo vivo. As fêmeas e os juvenis são cor de chocolate com zonas da cabeça brancas ou amareladas.

Águia-sapeira macho
Águia-sapeira fêmea

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8. Monografia – Coraciformes: Guarda-rios, Abelharuco, Rolieiro e Poupa (actualizada em 12-08-2018)

A ordem dos Coraciformes agrupa quatro espécies de aves que são das mais coloridas e vistosas da nossa região:

  • O Guarda-rios alcedo atthis;
  • O Abelharuco merops apiaster;
  • O Rolieiro coracias garrulus;
  • A Poupa upupa epops.

 

 

8.1 – O Guarda-riosalcedo atthis

Guarda-rios fêmea

O Guarda-rios – alcedo atthis é uma das espécies de aves que é conhecida na linguagem comum por muitos nomes. Pica-peixe, Martinho-pescador, Rei-do-mar, Bordaleiro, Juiz-do-rio, Raio-azul, são alguns deles. Continuar a ler “8. Monografia – Coraciformes: Guarda-rios, Abelharuco, Rolieiro e Poupa (actualizada em 12-08-2018)”

7. Monografia – Os Milhafres (actualizada em Novembro de 2017)

Na Península Ibérica há duas espécies de milhafre, o Milhafre-preto (milvus migrans) e o Milhafre-real (milvus milvus). São duas espécies de aves de rapina com aspecto semelhante mas comportamento sazonal diverso. O Milhafre-preto é estival com uma população em Portugal que se estima em 800 a 1600 casais, sendo raros os exemplares que se avistam no inverno. O Milhafre-real tem uma pequena população residente (50 a 100 casais nidificantes em Portugal) que é aumentada durante o Inverno com migrantes oriundos da Europa Central.

Milhafre-preto
Milhafre-real

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6. Monografia – O Açor

Optámos nesta Monografia um estilo algo diferente do usado nas anteriores, realçando a nossa experiência durante a tomada de fotos no abrigo.

No ano de 2016 o nosso primeiro objectivo, no que respeitou a fotos de abrigo, foram o Peto-real, Pica-pau-malhado-grande, Pica-mau-médio e, também, o Dom-fafe. Esta missão fotográfica serviu ainda de pretexto para visitar os Picos da Europa e arredores, que estavam magníficos, com muitíssima neve. Seguiram-se o Quebra-ossos, em Buseu, perto de Lérida e as Gangas e Cortiçóis, em Belchite, perto de Saragoça.

Procurámos depois fotografar as grandes águias peninsulares. Conseguimos bons resultados com a Águia-imperial, a Águia-real e a Águia-de-Bonelli.

Com estas etapas cumpridas, estabelecemos como objectivo seguinte o Açor.

Açor macho

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5. Monografia – Águia-de-Bonelli (revista em Novembro de 2017)

A Águia-de-Bonelli, também designada como Águia-perdigueira, tem o nome científico aquila fasciata (alguns autores usam hieraaetus fasciatus). É uma ave residente em Portugal sendo, no entanto, pouco comum, ainda que a sua população tenha vindo a aumentar ligeiramente. Estima-se que existam actualmente 92 a 99 casais no nosso país (2011).

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Águia-de-Bonelli ou Águia-perdigueira
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Águia-de-Bonelli ou Águia-Perdigueira

Espanha conserva a larga maioria da população europeia, cerca de 75%, contando-se 675 a 751 casais (1990). No entanto a população em Espanha tem diminuído acentuadamente e está considerada como uma ave em risco de extinção no Livro vermelho da aves de Espanha. Em espanhol é designada por águila perdicera ou por águila azor perdicera. É Bonelli’s Eagle em inglês e aigle de Bonelli em francês.

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4. Monografia – Águia-real e Águia-imperial (revista em Novembro de 2017)

Na nomenclatura em linguagem portuguesa comum, há muitas espécies de aves que se designam por “águia”. Conto, pelo menos, nove.

No entanto, apenas três pertencem ao género aquila na designação científica. A águia-real – aquila chrysaetos, a águia-imperial – aquila adalberti e a águia-perdigueira ou águia-de-bonelli – aquila fasciata. Trataremos aqui, apenas, das duas primeiras espécies, as grandes águias, com dimensões claramente superiores às da terceira.

Águia-real

A águia-real é a maior das águias e, também, a mais emblemática. Aparece como brasão, bandeira ou símbolo de inúmeras instituições, desde impérios e países, especialmente os com ambições guerreiras, a clubes desportivos. Simboliza coragem, força, bravura, destreza, nobreza, etc.

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