10. Mononografia – Os Tartaranhões

Os Tartaranhões são aves de rapina elegantes de médio porte. São pequenas águias ou aguiluchos como dizem em Espanha. São aves da família das acccipitriformes e do género circus. Tendem a caçar voando, por vezes a baixa altitude ou junto ao solo, com as asas com as pontas levantadas formando um V.

Em Portugal temos:

  • Circus aeruginosus – Tartaranhão-ruivo-dos-pauis ou Águia-sapeira (aguilucho lagunero);
  • Circus pygargus – Tartaranhão-caçador ou Águia-caçadeira (aguilucho cenizo).
  • Circus cyaneus – Tartaranhão-cinzento (aguilucho pálido);

Também ocorre por vezes o circus macrourus – Tartaranhão-pálido (aguilucho papialbo).

Águia-sapeira

É o maior dos nossos Tartaranhões com até 135 cm de envergadura.

Com claro dimorfismo sexual, os machos são tricolores, castanho, cinzento e preto. Têm os olhos de um amarelo vivo. As fêmeas e os juvenis são cor de chocolate com zonas da cabeça brancas ou amareladas.

Águia-sapeira macho
Águia-sapeira fêmea

Esta espécie caracteriza-se por uma grande variedade de plumagem com aspecto diferente consoante o sexo e a idade e grande variedade de exemplar para exemplar.

Águia-sapeira
Águia-sapeira
Águia-sapeira
Águia-sapeira

Frequentam zonas húmidas com vegetação palustre e caçam em caniçais, sapais, arrozais, etc. A alimentação é variada e oportunista, constituída por pequenos animais terrestres ou aquáticos e mesmo restos de animais mortos.

Águia-sapeira fêmea
Águia-sapeira fêmea
Águia-sapeira juvenil
Águia-sapeira macho
Águia-sapeira fêmea

As águias-sapeiras são residentes e nidificantes em Portugal, ainda que haja início de aumento da população durante os períodos de passagem migratória e no Inverno.

Águia-sapeira macho
Águia-sapeira macho
Águia-sapeira macho
Águia-sapeira macho
Luta entre um macho e uma fêmea de Águia-sapeira
Águia-sapeira macho
Águia-sapeira
Águia-sapeira
Águia-sapeira macho
Águia-sapeira fêmea.

 

Águia-caçadeira

O macho é cinzento e preto com manchas avermelhadas no ventre. A fêmea é acastanhada com riscas e com um evidente desenho facial. Os olhos são amarelo vivo.

Águia-caçadeira macho
Águia-caçadeira macho
Águia-caçadeira fêmea com uma presa acabada de capturar

É uma visitante estival no nosso país onde nidifica. Os ninhos são feitos no solo, às vezes no meio das cearas. Felizmente, com a actual consciência ambiental, os lavradores desviam as grandes ceifeiras debulhadoras para os evitar. Foi este o caso. O ninho foi protegido e os filhotes salvos e criados. De longe, para evitar perturbar as crias e a sua alimentação, pudemos seguir este processo durante alguns dias.

Filhotes de Águia-caçadeira no ninho
Águia-caçadeira fêmea

Pelo que pudemos assistir, pelo menos nesta fase de desenvolvimento, é essencialmente a fêmea a alimentar os filhotes no ninho, mas repetidas vezes, é o macho que caça, para depois entregar a presa à fêmea que a leva para o ninho. As presas que observámos eram aves (talvez codornizes ou trigueirões).

Águia-caçadeira fêmea leva uma presa para o ninho
Águia-caçadeira fêmea
Águia-caçadeira macho
Águia-caçadeira fêmea

 

Tartaranhão-cinzento

Esta espécie é ligeiramente maior que a Águia-caçadeira.

O macho é de cor cinzenta e preta com o peito branco. A fêmea tem tons castanhos e é semelhante à fêmea da Águia-caçadeira. É uma espécie rara como nidificante no Norte de Portugal. Durante o Inverno é mais abundante e estende a sua presença a todo o país.

Tartaranhão-cinzento fêmea
Tartaranhão-cinzento fêmea

 

Tartaranhão-cinzento fêmea
Tartaranhão-cinzento fêmea
Tartaranhão-cinzento fêmea
Tartaranhão-cinzento fêmea

O macho desta espécie não quis baixar para se deixar fotografar. Foi pena.

De outra vez teremos mais sorte.

 

Tartaranhão-pálido

O Tartaranhão-pálido tem aparecido em Portugal na Ponta da Erva e há quem tenha conseguido excelentes fotos.

Nós o melhor que conseguimos foi uma imagem distante de um macho juvenil. Aqui fica a foto ainda que a qualidade não seja grande.

Tartaranhão-pálido macho juvenil.

 

5. Técnica – Quais as aves mais difíceis e quais as mais fáceis de fotografar?

Quais são as espécies de aves mais difíceis e quais são as mais fáceis de fotografar na nossa região?

Esta pergunta, muito usual, pode ter muitas respostas. Há opiniões. Aqui ficam algumas ideias e sugestões. Mas, quem disser o contrário do que eu digo pode também ter muita razão.

Devemos em primeiro lugar considerar que as respostas podem ser diferentes se estivermos a considerar fotografias de primeiros planos com boa qualidade ou simplesmente registos fotográficos de fraca qualidade, que apenas permitem identificar a espécie e servir de prova do seu avistamento.

Além disso, o grau de dificuldade varia de região para região e, portanto, de pessoa para pessoa. É diferente viver num apartamento em Lisboa ou numa casa onde os papa-figos ou o bico-grossudo frequentam o quintal.

Ainda assim, há uns princípios gerais que poderemos ter em conta.

 

5.1 As mais difíceis

De um modo geral as aves mais difíceis de fotografar são as mais raras, as mais desconfiadas e esquivas e também as mais bem camufladas e/ou de hábitos mais discretos.

Continuar a ler “5. Técnica – Quais as aves mais difíceis e quais as mais fáceis de fotografar?”

4. Técnica – Como chegar perto das aves

Como chegar perto das aves para conseguir boas fotografias?

Em primeiro lugar convém saber que, mesmo com teleobjectivas muito potentes, é necessário chegar perto das aves para conseguir fazer boas fotografias. O quão perto depende evidentemente da teleobjectiva, mas também do tamanho da espécie de ave. Por exemplo, com uma objectiva de 500mm com teleconversor 1,4x numa câmara APS-C, uma cegonha pode fotografar-se bem a uns 50 metros. Mas, para um pardal, uma distância de 15 m já deve ser considerada como “um bocadinho longe”. É sempre preciso sabermos como chegar perto.

Há aspectos do comportamento das aves que variam de espécie para espécie. Há espécies muito tímidas e ariscas; outras só se podem descrever como descaradas. Mas, há alguns traços de comportamento que são comuns e que passaremos a referir.

Continuar a ler “4. Técnica – Como chegar perto das aves”

3. Técnica – Onde ver e fotografar aves

Quais os locais mais interessantes para observar aves?

Há várias fontes com informações sobre este assunto.

Para Portugal:

Na net temos informação muito útil em Aves de Portugal – Portal dos observadores de aves.

Há também dados sobre locais para observar aves na página da SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves).

Há um livro interessante, mas algo desactualizado e limitado à parte sul do país.

  • Onde Observar Aves no Sul de Portugal, de Helder Costa, 2003, ed. Assírio 6 Alvim, 269 pp.

Continuar a ler “3. Técnica – Onde ver e fotografar aves”

2. Técnica – Como ajustar a câmara

Como ajustar a câmara fotográfica para fotografar aves? Usaremos como exemplo a Canon EOS 7D MkII.

Admitimos que quem nos lê conhece o ABC da fotografia, que sabe o que é exposição, abertura, velocidade do obturador, sensibilidade, etc. Como é evidente, no que se segue dou a minha opinião. Haverá outras eventualmente melhores.

Em geral, para fotografar aves escolhe-se ter a câmara no modo Av, isto é, em exposição automática com escolha da abertura. Para conseguir a maior velocidade de obturação usa-se a máxima abertura da lente ou algo próximo disso. Esta é a forma de evitar fotos tremidas devido ao movimento da câmara e de poder “congelar” os movimentos da ave. É também a forma de obter um belo fundo desfocado para realçar a ave em primeiro plano.

Continuar a ler “2. Técnica – Como ajustar a câmara”

1. Técnica – Introdução

A fotografia de aves requer alguma capacidade técnica. Enumeraremos aqui, em artigos sucessivos, alguns dos aspectos técnicos que nos parecem mais importantes para ter sucesso neste tipo de fotografia.

Poderão ser úteis para quem se pretenda iniciar nesta actividade. Poderão também ser interessantes para os mais experientes, que aqui poderão comparar pontos de vista, métodos de trabalho, experiências e opiniões.

image001
Flamingos em voo na Ponta da Erva, Vila Franca de Xira. Câmara DSLR Canon EOS 10D, lente Canon EF 100-400 mm f 4-5.6 L IS USM.

Continuar a ler “1. Técnica – Introdução”